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Doenças

Candidíase masculina: sintomas, causas e tratamento

05 de janeiro de 2017
Homem de camisa xadrez com as mãos sobre a virilha, região destacada em vermelho indicando desconforto
Homem de camisa xadrez com as mãos sobre a virilha, região destacada em vermelho indicando desconforto

Coceira, ardência e vermelhidão na cabeça do pênis são o quadro mais comum da candidíase masculina, uma infecção pelo fungo Candida albicans. Ela tem tratamento, costuma responder rápido quando tratada certo, e em parte dos casos passa quase despercebida. Este texto explica os sintomas, o que aumenta o risco, como é o tratamento e em que ponto isso deixa de ser assunto de farmácia.

O que é a candidíase masculina

A Candida albicans é um fungo que vive normalmente no corpo humano, na boca, no intestino e na pele, sem causar problema nenhum. A candidíase acontece quando ele se multiplica além do que o organismo consegue controlar.

No homem, a forma mais comum atinge a glande, e recebe o nome de balanite. Quando a inflamação avança e alcança o prepúcio, a pele que recobre a glande, passa a se chamar balanopostite. É a mesma infecção, em extensão diferente.

Vale separar duas coisas que costumam se confundir: ter o fungo na pele é normal e não é doença. Candidíase é o crescimento descontrolado dele, com sintoma. Por isso o exame que encontra Candida em quem não tem queixa nenhuma não muda nada.

Sintomas da candidíase no homem

Os sinais aparecem na glande e no prepúcio, e costumam surgir em um ou dois dias:

  • coceira e ardência na cabeça do pênis;
  • vermelhidão, às vezes com pequenos pontos avermelhados;
  • placas esbranquiçadas, com aspecto de nata, que saem ao limpar;
  • inchaço e pele repuxada, que dificulta expor a glande;
  • ardência ao urinar e desconforto durante ou depois da relação;
  • descamação e rachaduras na pele da região;
  • cheiro diferente do habitual.

Nem todo homem com o fungo apresenta queixa. Quando o sistema de defesa dá conta, a infecção pode ser assintomática, e a pessoa só descobre porque a parceira ou o parceiro está em tratamento.

O que costuma ser confundido com candidíase

Vermelhidão e coceira no pênis não têm uma causa só, e é aí que mora o erro mais frequente, que é passar pomada de corticoide por conta própria: ela alivia a coceira e piora o fungo.

Comparativo: Candidíase masculina
QuadroO que costuma diferenciar
CandidíasePlacas brancas com aspecto de nata, coceira intensa, piora com umidade
Dermatite de contatoComeça depois de sabonete, preservativo ou produto novo, sem placa branca
Psoríase genitalPlacas bem delimitadas, avermelhadas, com pouca coceira e curso arrastado
Herpes genitalBolhas agrupadas que doem e viram feridas, com ardência forte
UretriteCorrimento saindo pela uretra e ardência ao urinar, mais que coceira

A diferença entre eles não se resolve pela foto na internet. É um exame de dois minutos no consultório, e às vezes uma raspagem levada ao microscópio.

Causas e o que aumenta o risco

A candidíase masculina quase sempre tem um gatilho, e encontrá-lo é o que evita a repetição:

  • Diabetes descompensado. Açúcar alto no sangue favorece o fungo, e candidíase de repetição é um dos motivos pelos quais um médico pede glicemia. Veja mais sobre controle de diabetes e exames de rotina.
  • Uso recente de antibiótico. Ele reduz as bactérias que competiam com o fungo. É um efeito conhecido, e mais um motivo para não usar antibiótico por conta própria.
  • Corticoide e imunossupressores, por doença ou por tratamento.
  • Umidade e calor: roupa apertada, tecido sintético, ficar de roupa molhada depois do banho de mar ou piscina.
  • Higiene em excesso ou de menos. Não lavar favorece; lavar com sabonete antisséptico várias vezes ao dia também, porque agride a barreira da pele.
  • Fimose e prepúcio que não retrai por completo, que dificultam secar a região.
  • Contato íntimo com parceria em crise de candidíase.

Candidíase é transmitida sexualmente?

Não é classificada como infecção sexualmente transmissível, porque o fungo já vive no corpo e a maioria dos casos não vem de contágio. Mas a relação sexual com alguém em crise pode aumentar a quantidade de fungo na região e desencadear o quadro em quem estava predisposto. Preservativo reduz esse risco.

A candidíase é uma das micoses mais frequentes, e as demais aparecem reunidas em pele, acne e micoses.

Tratamento da candidíase no homem

O tratamento padrão é antifúngico, e na maioria dos casos por via tópica, aplicado na região:

  • creme ou pomada antifúngica, com princípios ativos do grupo dos azóis, como miconazol, clotrimazol e cetoconazol, ou a nistatina;
  • antifúngico por via oral, geralmente fluconazol, reservado para casos extensos, resistentes ou de repetição, e sempre com receita;
  • tratamento da parceria, quando ela também tem sintoma, para o casal não ficar se reinfectando.

A melhora costuma começar em poucos dias, mas o tratamento tem prazo e ele precisa ser cumprido até o fim: parar quando a coceira passa é o motivo mais comum de a infecção voltar em duas semanas.

As doses e a duração dependem do quadro e de quem examinou. Este texto não substitui a receita, e nenhum antifúngico oral deve ser tomado por conta própria: alguns têm interação relevante com outros remédios e exigem atenção ao fígado.

O que os cuidados em casa realmente ajudam a fazer

Não existe chá, banho de assento ou receita caseira que elimine o fungo, e vale dizer isso com todas as letras. O que os cuidados em casa fazem, e não é pouco, é tirar as condições de que o fungo precisa para se multiplicar, o que acelera o tratamento e reduz a chance de voltar:

  • secar bem a região depois do banho, inclusive por baixo do prepúcio;
  • trocar a roupa íntima todo dia, e preferir algodão a tecido sintético;
  • evitar roupa apertada enquanto durar a crise;
  • lavar com água e sabonete neutro, sem antisséptico e sem esfregar;
  • não usar pomada de corticoide sem orientação, porque ela piora o fungo;
  • reduzir açúcar e álcool enquanto o quadro está ativo, sobretudo em quem tem diabetes.

Quando procurar um médico

Procure atendimento, e não a farmácia, se:

  • não houve melhora depois de alguns dias de antifúngico tópico;
  • a candidíase voltou mais de três ou quatro vezes no ano;
  • há febre, dor forte, ferida aberta ou secreção saindo pela uretra;
  • surgiu inchaço que impede expor a glande ou dificulta urinar;
  • você tem diabetes, faz quimioterapia, usa corticoide contínuo ou vive com HIV.

Candidíase de repetição não é só um incômodo: às vezes é o primeiro sinal de diabetes que ainda não foi diagnosticado. É por isso que a investigação vale a pena.

Como prevenir

  • manter a região seca, que é a medida isolada mais eficaz;
  • usar preservativo, principalmente com parceria em crise;
  • controlar a glicemia, se houver diabetes;
  • não usar antibiótico sem indicação;
  • na fimose que causa infecção repetida, discutir a correção com o urologista.

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Perguntas frequentes sobre candidíase masculina

Homem tem candidíase?

Sim. É menos frequente do que na mulher, mas acontece, e o quadro mais comum é a inflamação da glande, chamada balanite. Coceira, vermelhidão e placas esbranquiçadas na cabeça do pênis são os sinais típicos.

Quanto tempo dura a candidíase no homem?

Com antifúngico tópico, a melhora dos sintomas costuma começar em poucos dias, e o tratamento em geral dura de uma a duas semanas. Casos extensos ou de repetição levam mais tempo e podem exigir tratamento por via oral, com receita.

Candidíase masculina pega da mulher?

Pode acontecer. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, porque o fungo já vive no corpo, mas a relação com alguém em crise aumenta a carga de fungo na região e pode desencadear o quadro em quem estava predisposto.

Qual pomada é usada para candidíase no homem?

São antifúngicos tópicos, com princípios ativos como miconazol, clotrimazol, cetoconazol ou nistatina. Qual deles e por quantos dias é decisão de quem examinou, porque vermelhidão no pênis tem outras causas que pioram com o tratamento errado.

Candidíase no homem some sozinha?

Às vezes o quadro leve regride quando o gatilho é removido, como no fim de um ciclo de antibiótico. Mas contar com isso costuma prolongar o incômodo e aumentar a chance de a infecção avançar para o prepúcio.

Pode ter relação com candidíase?

O recomendado é aguardar o fim do tratamento. A relação durante a crise incomoda, pode piorar a irritação da pele e favorece a troca de fungo com a parceria, o que leva ao ciclo de reinfecção.

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