Candidíase masculina: sintomas, causas e tratamento

Coceira, ardência e vermelhidão na cabeça do pênis são o quadro mais comum da candidíase masculina, uma infecção pelo fungo Candida albicans. Ela tem tratamento, costuma responder rápido quando tratada certo, e em parte dos casos passa quase despercebida. Este texto explica os sintomas, o que aumenta o risco, como é o tratamento e em que ponto isso deixa de ser assunto de farmácia.
O que é a candidíase masculina
A Candida albicans é um fungo que vive normalmente no corpo humano, na boca, no intestino e na pele, sem causar problema nenhum. A candidíase acontece quando ele se multiplica além do que o organismo consegue controlar.
No homem, a forma mais comum atinge a glande, e recebe o nome de balanite. Quando a inflamação avança e alcança o prepúcio, a pele que recobre a glande, passa a se chamar balanopostite. É a mesma infecção, em extensão diferente.
Vale separar duas coisas que costumam se confundir: ter o fungo na pele é normal e não é doença. Candidíase é o crescimento descontrolado dele, com sintoma. Por isso o exame que encontra Candida em quem não tem queixa nenhuma não muda nada.
Sintomas da candidíase no homem
Os sinais aparecem na glande e no prepúcio, e costumam surgir em um ou dois dias:
- coceira e ardência na cabeça do pênis;
- vermelhidão, às vezes com pequenos pontos avermelhados;
- placas esbranquiçadas, com aspecto de nata, que saem ao limpar;
- inchaço e pele repuxada, que dificulta expor a glande;
- ardência ao urinar e desconforto durante ou depois da relação;
- descamação e rachaduras na pele da região;
- cheiro diferente do habitual.
Nem todo homem com o fungo apresenta queixa. Quando o sistema de defesa dá conta, a infecção pode ser assintomática, e a pessoa só descobre porque a parceira ou o parceiro está em tratamento.
O que costuma ser confundido com candidíase
Vermelhidão e coceira no pênis não têm uma causa só, e é aí que mora o erro mais frequente, que é passar pomada de corticoide por conta própria: ela alivia a coceira e piora o fungo.
| Quadro | O que costuma diferenciar |
|---|---|
| Candidíase | Placas brancas com aspecto de nata, coceira intensa, piora com umidade |
| Dermatite de contato | Começa depois de sabonete, preservativo ou produto novo, sem placa branca |
| Psoríase genital | Placas bem delimitadas, avermelhadas, com pouca coceira e curso arrastado |
| Herpes genital | Bolhas agrupadas que doem e viram feridas, com ardência forte |
| Uretrite | Corrimento saindo pela uretra e ardência ao urinar, mais que coceira |
A diferença entre eles não se resolve pela foto na internet. É um exame de dois minutos no consultório, e às vezes uma raspagem levada ao microscópio.
Causas e o que aumenta o risco
A candidíase masculina quase sempre tem um gatilho, e encontrá-lo é o que evita a repetição:
- Diabetes descompensado. Açúcar alto no sangue favorece o fungo, e candidíase de repetição é um dos motivos pelos quais um médico pede glicemia. Veja mais sobre controle de diabetes e exames de rotina.
- Uso recente de antibiótico. Ele reduz as bactérias que competiam com o fungo. É um efeito conhecido, e mais um motivo para não usar antibiótico por conta própria.
- Corticoide e imunossupressores, por doença ou por tratamento.
- Umidade e calor: roupa apertada, tecido sintético, ficar de roupa molhada depois do banho de mar ou piscina.
- Higiene em excesso ou de menos. Não lavar favorece; lavar com sabonete antisséptico várias vezes ao dia também, porque agride a barreira da pele.
- Fimose e prepúcio que não retrai por completo, que dificultam secar a região.
- Contato íntimo com parceria em crise de candidíase.
Candidíase é transmitida sexualmente?
Não é classificada como infecção sexualmente transmissível, porque o fungo já vive no corpo e a maioria dos casos não vem de contágio. Mas a relação sexual com alguém em crise pode aumentar a quantidade de fungo na região e desencadear o quadro em quem estava predisposto. Preservativo reduz esse risco.
A candidíase é uma das micoses mais frequentes, e as demais aparecem reunidas em pele, acne e micoses.
Tratamento da candidíase no homem
O tratamento padrão é antifúngico, e na maioria dos casos por via tópica, aplicado na região:
- creme ou pomada antifúngica, com princípios ativos do grupo dos azóis, como miconazol, clotrimazol e cetoconazol, ou a nistatina;
- antifúngico por via oral, geralmente fluconazol, reservado para casos extensos, resistentes ou de repetição, e sempre com receita;
- tratamento da parceria, quando ela também tem sintoma, para o casal não ficar se reinfectando.
A melhora costuma começar em poucos dias, mas o tratamento tem prazo e ele precisa ser cumprido até o fim: parar quando a coceira passa é o motivo mais comum de a infecção voltar em duas semanas.
As doses e a duração dependem do quadro e de quem examinou. Este texto não substitui a receita, e nenhum antifúngico oral deve ser tomado por conta própria: alguns têm interação relevante com outros remédios e exigem atenção ao fígado.
O que os cuidados em casa realmente ajudam a fazer
Não existe chá, banho de assento ou receita caseira que elimine o fungo, e vale dizer isso com todas as letras. O que os cuidados em casa fazem, e não é pouco, é tirar as condições de que o fungo precisa para se multiplicar, o que acelera o tratamento e reduz a chance de voltar:
- secar bem a região depois do banho, inclusive por baixo do prepúcio;
- trocar a roupa íntima todo dia, e preferir algodão a tecido sintético;
- evitar roupa apertada enquanto durar a crise;
- lavar com água e sabonete neutro, sem antisséptico e sem esfregar;
- não usar pomada de corticoide sem orientação, porque ela piora o fungo;
- reduzir açúcar e álcool enquanto o quadro está ativo, sobretudo em quem tem diabetes.
Quando procurar um médico
Procure atendimento, e não a farmácia, se:
- não houve melhora depois de alguns dias de antifúngico tópico;
- a candidíase voltou mais de três ou quatro vezes no ano;
- há febre, dor forte, ferida aberta ou secreção saindo pela uretra;
- surgiu inchaço que impede expor a glande ou dificulta urinar;
- você tem diabetes, faz quimioterapia, usa corticoide contínuo ou vive com HIV.
Candidíase de repetição não é só um incômodo: às vezes é o primeiro sinal de diabetes que ainda não foi diagnosticado. É por isso que a investigação vale a pena.
Como prevenir
- manter a região seca, que é a medida isolada mais eficaz;
- usar preservativo, principalmente com parceria em crise;
- controlar a glicemia, se houver diabetes;
- não usar antibiótico sem indicação;
- na fimose que causa infecção repetida, discutir a correção com o urologista.
Textos que conversam com este
Perguntas frequentes sobre candidíase masculina
Homem tem candidíase?
Sim. É menos frequente do que na mulher, mas acontece, e o quadro mais comum é a inflamação da glande, chamada balanite. Coceira, vermelhidão e placas esbranquiçadas na cabeça do pênis são os sinais típicos.
Quanto tempo dura a candidíase no homem?
Com antifúngico tópico, a melhora dos sintomas costuma começar em poucos dias, e o tratamento em geral dura de uma a duas semanas. Casos extensos ou de repetição levam mais tempo e podem exigir tratamento por via oral, com receita.
Candidíase masculina pega da mulher?
Pode acontecer. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, porque o fungo já vive no corpo, mas a relação com alguém em crise aumenta a carga de fungo na região e pode desencadear o quadro em quem estava predisposto.
Qual pomada é usada para candidíase no homem?
São antifúngicos tópicos, com princípios ativos como miconazol, clotrimazol, cetoconazol ou nistatina. Qual deles e por quantos dias é decisão de quem examinou, porque vermelhidão no pênis tem outras causas que pioram com o tratamento errado.
Candidíase no homem some sozinha?
Às vezes o quadro leve regride quando o gatilho é removido, como no fim de um ciclo de antibiótico. Mas contar com isso costuma prolongar o incômodo e aumentar a chance de a infecção avançar para o prepúcio.
Pode ter relação com candidíase?
O recomendado é aguardar o fim do tratamento. A relação durante a crise incomoda, pode piorar a irritação da pele e favorece a troca de fungo com a parceria, o que leva ao ciclo de reinfecção.